10.20.2006

a contradição de extremos desce rasgando meu impulso, a música depois que se aprende a letra, que esquece seu ar despretensioso e cândido e perde seu misterioso gosto de não se fazer entender, pelo simples fato de se negar à procurar interpretações para o inefável. Se torna tão mais clara quanto um dia se pode pintar uma nuvem em branco, fica pálida, carne mastigada, deveras tátil e opaca. Decadência repentina. Ela sempre esteve lá, sempre fora a mesma exceto interpretações vindas de novas referências vigentes cotidianas e, há quando digo aquelas vindas da quina, acanhadas de exposição que me biliscam e confortam, a curto prazo. De qualquer maneira sua atmosfera não será mais excitante, é descartável como qualquer paixão mesquinha; quando acaba a gente não reconhece mais como filha, não consegue entender como um dia possa ter nascido, de dentro de nós.

3 comentários:

Lóri disse...

incrível di! um dos seus melhores textos sem dúvida!

Anônimo disse...

lembra-te que és fonte de águas e que podes matar a sede de guerreiros valentes.

Anônimo disse...

Como dói perceber uma paixão mesquinha, nos arranha não reconhecer como filha aquilo que de dentro nasceu, brotou..subitamente morreu, perdeu o sentido...
sinto saudades de acreditar
seria bom poder reconhecer, seria afável e caloroso, olhar a ferida aberta e senti-la como sua, olhar a dor no peito e saber porque vem, lemrar da pertinência. lembrar as escolhas e reconhecê-las...infelizmente dói demais, e cinza e frio o não reconhecer se...
não vamos nos esquecer dos porquês
beijos
Bia